Atuando nos campos de treinamento de força e atividades de resistência, que para o público em geral não apresentam relações, é comum surgirem questões do tipo “como a musculação pode me ajudar a pedalar melhor?” ou “se fizer musculação vou ficar muito grande?”. A primeira decisão é eliminar os mitos e se basear em evidências, associando a isso a experiência que vários treinadores e atletas acumularam. Um dos exemplos dessa relação é o desenvolvimento das panturrilhas dos ciclistas.
Esse conjunto de músculos, na região posterior das pernas, é composto pelo sóleo (ou solear), que fica abaixo dos dois ventres do gastrocnêmio. Esse último tem importante papel no volume da região e definição. Sob o aspecto biomecânico, o sóleo traciona a planta do pé, fazendo a flexão plantar (como quando você fica “nas pontas dos pés”); o gastrocnêmio também faz o mesmo movimento, pois se unem no tendão de Aquiles (tendão do calcâneo), exercendo grande força nesse ponto. A ação diferenciada do gastrocnêmio reside em sua inserção superior aos joelhos, participando também da flexão deles juntamente com os músculos posteriores das coxas.
Com a definição do que cada músculo faz é possível estimular um ou outro, além de entender seu papel na pedalada. Para o ciclista que faz uso da sapatilha, o calçado apropriado que fixa os pés do ciclista nos pedais, o retorno da pedalada, quando o pedal parte do ponto mais baixo para cima, representa importante fase de aplicação de força, e se tem força, os músculos são os motores. Esse movimento de subida dos pedais é realizado em associação dos músculos posteriores das coxas com as panturrilhas, logo, quanto mais forte e resistente for o conjunto de músculos, melhor será a pedalada, e nesse momento a musculação pode colaborar.
O trabalho de força para o ciclista pode ser desenvolvido sobre a própria bicicleta, normalmente em sessões de sprints, mas a academia é o local que poderá isolar o grupamento muscular e eliminar desequilíbrios de força. E nesse momento deverão ser escolhidos exercícios para o sóleo (panturrilha sentado / solear), foco no gastrocnêmio (panturrilha em pé, burrinho / donkey) e também pensar na associação com os posteriores de coxa (cadeira flexora ou mesa flexora, com os pés em dorsiflexão). Além dos exercícios, deverão ser prescritos o volume, intensidade, frequência e a sequência de estímulos. Como essas informações são extensas, é melhor procurar um bom treinador, o que não vale é culpar sua genética, pois afirmo com segurança: existem fatores mais importantes e manipuláveis que ela.
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