- Pai ta doendo meu bumbum!
- arreda o bumbum pra frente menina! … e cuidado pra não colocar o pé no “aro” da bicicleta tá?
- tá bom pai…mas será que a injeção vai doer muito?
- vai não..vai não, depois o pai vai comprar uma maça bem bonita tá?
- tá bom pai…mas será que a injeção vai demorar muito?
- vai não…a maça que vou te dar é muito gostosa tá?
- tá bom pai…do jeito que o senhor fala deve ser uma delícia mesmo!
- pode acreditar, porque o pai não conta mentira.
- Eu acredito pai…
Depois desse colóquio já me cobria o olhar a farmácia do Sr. Edgar .
O pai “apeava” da velha bicicleta e com vigor e amor me tirava dela.
Eu já conhecia bem aquele roteiro porque há anos o seguia por causa da “amigdalite crônica”.
A mão do Pai segurava forte a minha e eu seguia com ele.
Meu coração de criança enchia o peito e parecia querer saltar pela boca.
Gotas miúdas de suor escorria sem aviso pela testa e minhas mãos pequeninas.
Havia chegado a hora!
O pai me virava de costas em seu colo, com uma mão apoiava minhas
ostas e a outra segurava forte minha mão. A injeção entrava doída no
“bumbum” e eu apertava com toda a força a mão do pai!
Depois de terminado, olhava pro pai com olhar de vitoriosa e
ele logo encostava minha cabeça no coração dele e apontava o mercado em frente dizendo:
- a maça ta esperando…vamos?
- vamos…
E a mão do pai segurava forte a minha.
A volta pra casa não era diferente:
- Pai, ta doendo meu bumbum!
- arreda o bumbum pra frente, cuidado com o “aro” tá?
- tá bom pai….
Esta página registrada nos livros da memória hoje,
não sei porque, me faz lembrar a paixão de Jesus:
A bicicleta é a cruz; a injeção, a dor da cruz;
meu pai é Aquele que me criou desde a eternidade;
a maçã, meu prêmio do céu.
E aquela menina?
Sou eu…sou eu…apenas adormeço!
Contos do amor sem fim
Autora: Elenice Faria
Formadora Geral
Comunidade Sacramento de Amor
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